• Janaína Lima

Avanço digital e transformação tecnológica agora e pós-covid-19

Enquanto alguns países usam a tecnologia a seu favor para organizar políticas de saúde, monitorar deslocamentos em tempos de quarentena e informar a população, aqui assistimos boquiabertos a pandemia análogica que nos atrasa.


A pandemia do novo coronavírus criou um cenário de desafio constante para o Brasil. Como encarar a crise sanitária? Como lidar com a vida da população afetada? Qual o melhor caminho? Em um contexto de grandes dúvidas e incertezas, há um ponto consensual (e infelizmente negativo): vivemos o caos burocrático e a incapacidade de coordenar informações e nortear políticas públicas, porque estamos na lanterna da revolução tecnológica e digital no mundo.


O Brasil vinha trilhando um caminho auspicioso pré-covid-19. Até a reviravolta com a pandemia, os planos para 2020 eram promissores: lançamento da identidade biométrica, digitalizar mais de 1.000 novos serviços em um portal único e simplificar o registro de empresas, um dos maiores gargalos do empreendedorismo no país.


Tudo isso na sequência das conquistas de 2019, quando, mesmo em um país continental, conseguiu-se digitalizar 515 serviços públicos que antes eram disponíveis apenas presencialmente. Em 2018, foram 109, somando R$ 1,7 bilhão em economias, além de 146 milhões de horas poupadas por ano.


Infelizmente os trabalhos do avanço digital e da disseminação do big data na administração pública foram interrompidos para garantir que todos os esforços estejam no combate ao novo coronavírus — e no fortalecimento do distanciamento social para ganharmos tempo nesta crise.


A transformação é inevitável, a tecnologia que nos salva no isolamento é a mesma que irá iluminar os caminhos após a crise.

Muitas experiências tecnológicas, no entanto, estão disponíveis no setor privado para se enfrentar um cenário de incerteza generalizada. A necessidade de se ter uma inteligência capaz de dar previsibilidade à disseminação do vírus tornou-se primordial. Data analytics, ou análise de dados, nunca foi tão essencial quando estamos imaginando que a disrupção da cadeia de suprimentos pode ser avassaladora pelos próximos anos, criando enormes dificuldades para uma recuperação econômica sólida. Nenhum país quer enfrentar obstáculos gerados por uma lenta retomada, porque isso significa empobrecimento da população, falta de empregos e atrasos em todas as áreas essenciais.


A relevância da tecnologia neste momento não deve ser usada para acabar com a privacidade do cidadão. Mas o big data analytics é capaz de encontrar padrões, correlações e insights para garantir que incertezas sejam minimizadas, ao possibilitar que tenhamos cenários mais claros de transmissão e disseminação da doença, para que serviços e as empresas se preparem melhor na hora de tomar decisões. Com isso é possível preservar empregos e manter a economia em cima de trilhos mais prognosticáveis.


Esse, claro, é um cenário ideal, mas não é o que vemos hoje no Brasil. O fato é que o país poderia estar muito mais capacitado e organizado nesta guerra contra o vírus agora que nos aproximamos do pior momento da doença.


Leia também esse artigo no NEXO Jornal.


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